SOBRE A CLASSE MÉRDEA

Virou até moda, por exemplo, a proclamacão de que se é um marginal da classe média. Ou mérdea. A segunda forma, num tempo em que o jogo de palavras e o uso da palavrada passaram a valer como sinal de talento, é mais elegante. Mérdea. Podendo grafar isso, então, é o fino do espírito. Compõe bem. Soa a criativo. E, útil, começa a faturar, o que é conveniente e de oportunidade boa.
Mas da classe média você não vai escapar, seu. A armadilha é inteiriça, arapuca blindada, depois que você caiu. Tem anos e anos de aperfeiçoamento, sofisticação, tecnologia, ah o cartão de crédito, o cheque especial, o financiamento do carro, da casa própria e do resto da merdalhada que for moda e, meu, sem ela você não vive. Não respira, é ninguém. Ou melhor, é nada: você já virou coisa do sistema. E não pessoa. Dane-se. Futrique-se, meu bom, meu paspalho, pague prestação pelo resto da vida. E o carro, é preciso o carro. Os donos da arapuca querem você comprando. Compre. E de carro. Ande de carro, ouça música e veja filmes no carro, coma no carro e trepe ali.
Todos os leros. Todos os embelecos, do automóvel ao secador de cabelos, principalmente você deve comprar o de que não precisa. A tevê vai te comandar a vida, meu chapa. A cores. E destas regras do jogo não vai escapulir. Bufanear a classe média, pajear, aturar e ser como ela. Quer queira, quer não.
Afinal, já não está em tempos em que possa pensar com sua cabeça. Ô, meu, você é só manada. Bem pequenininho, lá, no meio da manada. E quieto, bom comprador. Esbirro, sabujo, capacho.
Mas da classe média você não vai escapar, seu. A armadilha é inteiriça, arapuca blindada, depois que você caiu. Tem anos e anos de aperfeiçoamento, sofisticação, tecnologia, ah o cartão de crédito, o cheque especial, o financiamento do carro, da casa própria e do resto da merdalhada que for moda e, meu, sem ela você não vive. Não respira, é ninguém. Ou melhor, é nada: você já virou coisa do sistema. E não pessoa. Dane-se. Futrique-se, meu bom, meu paspalho, pague prestação pelo resto da vida. E o carro, é preciso o carro. Os donos da arapuca querem você comprando. Compre. E de carro. Ande de carro, ouça música e veja filmes no carro, coma no carro e trepe ali.
Todos os leros. Todos os embelecos, do automóvel ao secador de cabelos, principalmente você deve comprar o de que não precisa. A tevê vai te comandar a vida, meu chapa. A cores. E destas regras do jogo não vai escapulir. Bufanear a classe média, pajear, aturar e ser como ela. Quer queira, quer não.
Afinal, já não está em tempos em que possa pensar com sua cabeça. Ô, meu, você é só manada. Bem pequenininho, lá, no meio da manada. E quieto, bom comprador. Esbirro, sabujo, capacho.
João Antônio, 1986
THE DEFRANCESCO BROTHERS - JOEY & JOHNNY - 2010http://uploaded.to/file/jxj947ru/TheDeFrancescoBrothers.rar











6 Comments:
Olá,
obrigado pelo seu ótimo blog, eu coloquei um link no meu agregador esperando para lhe trazer os visitantes que você merece
http://blogsetcie.blogspot.com/
bravo!
O caso é o seguinte:
após quase sete anos sem viajar de cascola, fui inalar o grude amarelo, mas, para meu desprazer, li no rótulo da latinha: "sem toluol".
eu estava diante de uma adulteração, uma sabotagem, um ataque contra os princípios psicotrópicos da viagem mais pé de chinelo do hemisfério ocidental.
mesmo assim, na hipótese de o grude ainda proporcionar algum barato, comprei o enlatado de delírio.
logo que comecei a respirar o conteúdo do saco plástico, percebi a diferença.
os malditos estragaram a experiência. surrupiaram a seiva preciosa e enfiaram no bolso meus minutos de êxtase. todo um universo demencial em rotação chegou ao fim. uma tradição se perdeu. eu nunca mais irei ficar chapado de cola.
os agiotas da lisergia. os burocratas da Santa Ceia. os vigias e bedeus do Espírito Santo. as velhas na janela da sagrada doidera. todos os fariseus dos estados alterados de consciência - que não entram no céu do transe e nem deixam que os outros entrem - confiscaram do povo uma possibilidade de transcendência.
eu estou de luto. uma tradição foi morta. assassinada. estou revoltado, porra. meteram no bolso o pão maldito que deixava os passarinhos fugirem da "gaiola realidade".
nada mais resta além de ficar embriagado o dia todo. felizmente, há bastante pinga e maconha no Vale do Paraíba para deixar qualquer um fora de órbita. fora da órbita do mercado de trabalho, fora do Estado, fora da cultura oficial, fora do PT, fora do politicamente correto, fora do consenso e da hegemonia, fora da baboseira geral da nação,
Que papinho de vagabundo.
"realidade"; "órbita, pinga e maconha"; vícios e tráfico...
E não me venha com moralismos hipócritas de malucão
e não me venha com moralismos hipócritas de malucão....
Mas é claro que isso é papo de vagabundo.
Ou você acha que eu sou funcionário público...?
Tentei ser varredor de rua, mas...
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